Por trás da iniciativa, o afastamento dos petistas nas quatro maiores cidades, reforçando o acordo com o governo tucano
Para as quatro cidades paranaenses com possibilidade de segundo turno, a comissão executiva do diretório estadual do PMDB aprovou uma “orientação” aos diretórios locais por candidatura própria nas eleições municipais de 2012. A tese é a mesma de outros anos pré-eleitorais: “O PMDB é o maior partido do Brasil e do Paraná, em número de militantes filiados e de representantes eleitos, e precisa fazer valer esta força, principalmente nos municípios onde terá segundo turno”, repete o deputado estadual Nereu Moura.
A orientação teve como base a questão de Maringá. A executiva estadual, em reunião coordenada pelo presidente Waldyr Pugliesi, deu autonomia ao PMDB de Maringá para lançar chapa completa de candidatos à Câmara de Vereadores, a prefeito e vice. “Em Maringá, o PMDB tem que disputar o primeiro turno e caso o candidato do partido não passe para o segundo turno, buscar os apoios necessários para compor uma aliança necessária para vencer as eleições”, explicou Moura.
A executiva regional do PMDB rompeu com o PT de Maringá e por extensão, com o pré-candidato a prefeito Enio Verri (PT). O motivo, segundo os peemedebistas, são os escândalos das caronas aéreas com jatinhos da empreiteira Sanches Tripoloni envolvendo o ministro petista do Paraná, Paulo Bernardo, hoje no comando das Comunicações.
Em função do possível desgaste, já que o PMDB é aliado do PT, o partido escolheu o vereador e presidente da Câmara Mário Hossokawa como pré-candidato peemedebista à prefeitura de Maringá. A direção local do PMDB, que articulava a aliança, foi comunicada ontem sobre a mudança nos planos. Além de Maringá, Curitiba, Londrina e Ponta Grossa são as demais cidades paranaenses que terão segundo em 2012. É possível que até o próximo ano Cascavel também tenha eleitorado suficiente para segundo turno.
Cúpula
Na Assembleia, os deputados do PMDB decidiram arriscar por conta própria um encontro com o vice-presidente da república Michel Temer e com o presidente nacional do partido, Valdir Raupp. O encontro será após o feriado de 7 de setembro. A bancada havia pedido agendamento de audiência com Temer mas não obteve qualquer resposta.
Os deputados querem explicar a adesão ao governo Beto Richa, que é do PSDB, principal adversário do governo federal do qual o PMDB faz parte. “Vamos explicar que aqui no Paraná o partido corria o risco de ficar raquítico, sem capilaridade, se continuasse como estava”, diz Nereu Moura. (Roseli Valério)
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31 de ago. de 2011
5 de ago. de 2011
Notinhas do dia 05/08
Chega pra lá
Depois de uma espécie de ultimato dado pelo senador Roberto Requião à bancada do PMDB na Assembleia Legislativa para que o partido vote contrário à ampliação da Agência Reguladora de Serviços Delegados do Paraná (Agepar), o presidente do diretório estadual, deputado Waldyr Pugliesi reagiu à declaração. Requião avisou aos deputados estaduais que votassem pela criação da Agepar contribuiriam com a privatização de empresas como a Copel e a Sanepar e também os portos públicos de Paranaguá e Antonina. A resposta de Pugliesi foi de que nenhum deputado da bancada “é menino” e que todos têm convicção própria. O deputado Caíto Quintana, que foi líder do governo Requião na Assembleia e é o líder da bancada atual, correu o risco de afirmar que se Copel e Sanepar não forem controladas pela Agência, os deputados estaduais do partido vão votar a favor da criação. O risco é de que Caíto acabe sendo desmentido pelo voto do PMDBdoB, dos deputados que se transferiram de mala e cuia para o governo tucano de Beto Richa. Pelas votações anteriores, é improvável que esses deputados peemedebistas aliados de Richa votem contra o projeto da Agepar se o governo do Estado retirar a Copel, como tem acenado diante das pressões e mantenha a Sanepar e os dois portos. Caíto emendou que o Requião tinha um apoio maciço da bancada quando governou, mas que agora faz o papel dele no Senado e os deputados os seus, na Assembleia.
Negativa
Na polêmica em torno do projeto do Executivo que amplia e regulamenta a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar), o líder governista na Assembleia Legislativa, deputado tucano Ademar Traiano, refuta a bancada petista e o Fórum Popular sobre a criação da Agência quanto à intenção de futuro processo de privatização. “Não tem qualquer fundamento na realidade. O governador Beto Richa já se comprometeu no Paraná todo que não vai privatizar as estatais”.
E nós com isso?
E, como sempre fraco em argumento, Traiano “lembrou” a propósito, que dos Estados governados pelo PT (Rio Grande do Sul, Bahia, Acre e Sergipe), apenas este último não tem uma agência reguladora. E que nos outros três Estados as agências reguladoras abrangem as áreas de energia elétrica, saneamento e portuário, sem que se saiba da disposição de privatizar essas empresas locais. E daí? O Paraná não tem nada a ver com outros Estados e petistas locais também não.
Vencidos
E depois de muita pressão contrária do povo e de entidades, foi retirado da pauta da Câmara de Foz do Iguaçu o projeto que aumentava o número de vereadores do município de 15 para 21. De acordo com um dos autores da proposta, o que motivou a retirada foi o “clamor popular”, além da falta de apoio de outros vereadores.
Vencedores
Apesar de a ampliação estar prevista em lei, a decisão foi tomada ontem em reunião entre os seis vereadores que assinavam o projeto. Por conta disso, desmarcou-se uma audiência pública sobre o assunto, que seria realizada hoje na Câmara de Foz. Foram várias manifestações contrárias ao aumento, como outdoors, e um abaixo-assinado, que contou com mais de nove mil assinaturas de moradores.
Para ficar
O suplente Bernardo Ribas Carli (PSDB), da região de Guarapuava, vai reassumir a cadeira de deputado estadual na Assembleia Legislativa. Ele vai ocupar a vaga de Osmar Bertoldi (DEM), que se licenciou para assumir a presidência da Secretaria da Habitação de Curitiba, a Cohab.
Sobrenome
O tucano já havia assumido o posto de Bertoldi em abril, quando o deputado do DEM pediu licença por 120 dias para fazer tratamento médico. Bernardo é irmão do ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, que provocou um grave acidente que matou dois jovens, em Curitiba, há dois anos e teve de renunciar ao mandado sob risco de ser cassado. (Roseli Valério)
17 de jun. de 2011
ESCRACHO NA COMUNICAÇÃO Rádio e televisão é o negócio com que todo político sonha
Em outros tempos o rádio já foi mais cobiçado. Hoje é a TV que se tornou a menina dos olhos. Político que é político sabe o quanto é importante ser dono de rádio e televisão. Dá uma garantia de poder que muitos nem imaginam.
Basta ver a relação que a Gazeta do Povo escrachou na última segunda-feira, dando nomes aos bois. Uma revelação que em 45 tópicos de emissoras de rádio e televisão apontou gente que muitos nem sabiam que eram tão chegados em um negócio desses. Por ser uma matéria de utilidade pública, já que o povo precisa ficar sabendo, reprisamos a matéria que, sem dúvida, teve enorme repercussão.
Leia com atenção. Veja quem é quem neste universo de rádios e televisão em nosso estado. Isso sem terem sido mencionados os donos de emissoras de televisão como o Joel Malucelli e a turma da RPC-Gazeta que não aparecem neste listão por não serem políticos. Apesar da letra miúda, vale a pena ler os nomes e as empresas em que estes políticos estão abraçados.
Como se vê, bastante gente conhecida. E muitos que você nem sabia que eram donos de rádio, como é o caso do Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), citado como sócio da Rádio Band B, ao lado de Maria Aparecida da Silva Martins, a mulher do ex-deputado estadual Luiz Carlos Martins (PDT), que por sinal perdeu a última eleição. João Elísio Ferraz de Campos, muita gente nem lembrava que é o dono da Caiobá FM. E Orlando Pessuti (PMDB), o Pessutão, dono de emissora de rádio em sua região, Ivaiporã.
São nada menos que 54 emissoras de rádio das 355 registradas no Ministério das Comunicações, cujos donos são políticos ou parente de político, caso do deputado Waldyr Pugliesi (PMDB), do ex-deputado federal Ricardo Barros (PP) e sua esposa, Cida Borghetti (PP). Toda essa gente tem emissora de rádio ou é sócio em algum destes veículos de comunicação.
O próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que vem tentando corrigir essa situação das concessões que sempre acabavam nas mãos dos políticos, surpreendeu-se quando viu tantos nomes de políticos e conhecidos paranaenses com o comando de emissoras de rádio em nosso estado.
Paula Pimentel Mussi, que é filha de Luiz Mussi e esposa de Alexandre Curi (PMDB), é dona de rádio e confirma que com seu pai responde por quatro emissoras em diferentes pontos do estado. Até a sogra do parlamentar, Yvone Pimentel Mussi, está encaixada como sócia em uma emissora, a Fundação Exclusiva Educativa.
Sem dúvida, lendo e relendo esta listinha a gente não apenas mata a curiosidade, mas chega à conclusão de que rádio, ainda, é um bom negócio. Principalmente porque na hora de buscar verbas oficiais nossos políticos sempre levam enorme vantagem em relação aos simples mortais que são donos de rádios por este Paraná afora.
20 de mai. de 2011
PMDB dividido faz encontro amanhã para iniciar debates das eleições 2012
A iniciativa é do comando nacional, mas o partido no Paraná enfrenta um racha que pode comprometer as eleições municipais do próximo ano
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| Waldyr Pugliesi |
Em meio ao imbróglio envolvendo a anulação da indicação de Maurício Requião para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado - ele deve entrar com ação na Justiça na próxima semana para contestar o ato da presidência da Assembleia Legislativa - o partido do senador Roberto Requião se reúne amanhã (sábado 21), em Curitiba, para dar início ao debate das eleições municipais de 2012. Lideranças do partido, com ou sem mandato e filiados foram convocados pelo presidente do diretório estadual, deputado Waldyr Pugliesi, a participar do encontro denominado “Rumo aos Municípios 2012: Estradas e Bandeiras”, que será realizado pelo partido e a Fundação Ulysses Guimarães, vinculada ao diretório nacional.
Pugliesi na condição de presidente do PMDB no Paraná tenta transitar entre as duas facções a que está se dividindo o partido, a do senador Requião e a do ex-governador Orlando Pessuti. Se ambos estarão juntos no evento deste sábado ainda é incerto. Requião continua alfinetando Pessuti através do seu microblog quase que diariamente e este, nas reuniões que tem feito no interior do Paraná, também para debater as eleições do próximo ano, responde a uma ou outra provocação do senador. Aparentando estar indiferente à briga das duas lideranças, o deputado Pugliesi proclama: “Vamos colocar o pé na estrada carregando as bandeiras partidárias”.
O maior problema do PMDB para 2012 atualmente está em Curitiba, cuja direção municipal é foco de conflito entre o grupo ligado a Requião, que está no comando há anos e o de Pessuti. O ex-governador embora não seja eleitor na capital, tomou como sua a rixa de deputados estaduais com base eleitoral em Curitiba contra os requianistas. Os deputados querem substituir o atual comando por uma comissão provisória ou realizar convenção municipal até julho. Neste caso o diretório nacional teria de autorizar por estar fora do calendário oficial da legenda. O pano de fundo é a possibilidade de atrair o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) para retornar ao PMDB e disputar a prefeitura de Curitiba em 2012 pelo partido.
Discurso
Ao convocar os peemedebistas para o encontro, Pugliesi prefere passar ao largo do racha partidário, agravado pelo conflito no diretório de Curitiba, para realçar os feitos da legenda no Estado. “Queremos que o PMDB continue forte como o maior partido do Paraná”, lembrando que a sigla é a que tem o maior número de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais. Quadro que pode mudar antes mesmo da eleição do ano que vem, já que a bancada do PMDB na Assembleia se queixa do assédio de deputados governistas e do próprio governo tucano a prefeitos do partido.
Pugliesi mantém o discurso oficial do partido sobre o encontro de amanhã. Diz que vai permitir ao PMDB continuar sua defesa de um estado forte. “O partido precisa continuar firme na defesa da Copel, Sanepar e outras empresas públicas que são estratégicas para o desenvolvimento do Paraná, para que continuem sob domínio público”, destacou. No evento será discutido, oficialmente, entre outros temas, o anteprojeto de Reforma Política, que está em discussão no Congresso Nacional. O tema será abordado pelo membro da Comissão de Reforma Política da Câmara Federal, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS).
Vão participar também, além do deputado gaúcho, o presidente nacional da FUG, Eliseu Padilha e o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp. O evento em Curitiba abre o giro que a FUG e o PMDB farão em todo o Brasil coletando material, via questionários e debates, que posteriormente serão utilizados para a elaboração do plano de governo do partido. Mais informações sobre o encontro: (41)3072-1515, 3072-1517 e 8706-1001. (Roseli Valério)
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