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| João Barbiero |
Por diversos motivos. Primeiro é preciso lembrar que os dois pré-candidatos a prefeito que despontam como favoritos na disputa eleitoral são ligados ao governador tucano e, juntos, abocanham quase 45% da preferência do eleitorado. Em dois cenários distintos, um com Péricles de Holleben Mello (PT) e outro sem o petista, o favoritismo dos aliados de Beto é o mesmo. Com Péricles, Marcelo Rangel (PPS) lidera com 25,86%, seguido de Plauto Miró Guimarães (DEM), com 18,23%. Péricles aparece em terceiro com 13,30%, acompanhado de perto por Barbiero, com 9,61%. Juntos, o petista e o coordenador regional do PR somam quase 23%.
Noutro cenário, sem Péricles, os percentuais de Marcelo e Plauto praticamente não se alteram e Barbiero melhora um pouco o seu desempenho, alcançando 10,84% da preferência. Ou seja, o grupo de Gleisi em Ponta Grossa não tem muitas alternativas caso queira participar da disputa para prefeito em 2012. Ou vai de Péricles ou aposta em Barbiero, sendo que a melhor aposta, na verdade, seria Péricles e Barbiero.
O grande ‘porém’ é que, neste momento, o deputado petista está com os direitos políticos cassados e não pode ser candidato a prefeito. Há quem acredita que ele consiga rever essa situação em tempo hábil para lançar uma candidatura. Considerando que Péricles faça as pazes com a Justiça e seja candidato, uma aliança com o PR na majoritária, alçando Barbiero na condição de vice, formaria uma chapa forte, capaz de fazer frente ao poderio do grupo de Richa – que, aliás, só é forte se tiver Marcelo e Plauto na mesma canoa.
Por outro lado, se Péricles continuar com os direitos políticos cassados, o passe de João Barbeiro fica ainda mais valorizado. O coordenador regional do PR torna-se a única alternativa viável para o projeto de Gleisi, de lutar pela prefeitura de Ponta Grossa. Neste caso, Barbiero seria o candidato a prefeito e o PT poderia indicar o vice. Se, nas trincheiras de Beto Richa, a força do grupo depende da união de Marcelo e Plauto, pelas bandas de Gleisi o poderio do grupo passa, necessariamente, pela somatória de forças entre Péricles e Barbiero. Pelo menos é o que dizem as pesquisas.
E na prática, nada impede essa aliança do PT com o PR visando a disputa da Prefeitura. Barbeiro possui um bom relacionamento com Péricles e um trato melhor ainda com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Agora mesmo, o secretário municipal de Governo foi quem conseguiu a liberação, pelo Exército, do binário da Avenida Carlos Cavalcanti, em Uvaranas, em decorrência do prestígio que possui junto à ministra. A Casa Civil antecipou para agora o desfecho de um processo que normalmente ficaria parado pelo menos um ano em Brasília.
Não bastasse isso, o PR sempre pertenceu à base aliada do governo federal no Congresso. Ou seja, não há impedimentos para uma aliança entre Barbiero e o PT na cidade. Talvez o maior entrave seria o fato de Barbiero integrar o governo municipal de Pedro Wosgrau, do PSDB, partido do governador. Mas, o secretário de governo sempre teve liberdade do prefeito para, fora do Executivo, conduzir os seus rumos partidos e políticos de maneira independente.
João Barbiero tem vontade de ser candidato a prefeito e nunca escondeu isso de ninguém. Já disputou a Prefeitura em outra ocasião e numa deixou de fazer política. Tanto que, sem Péricles e excluindo os candidatos da ala de Beto Richa, ele passa a ser o primeiro da lista dos pré-candidatos melhores colocados na pesquisa para brigar pela Prefeitura em 2012.
E nesta aliança entre PT e PR, poderia-se incluir ainda o PMDB, que já anunciou que irá acompanhar o PT nas eleições municipais do Paraná, e o PDT, que no plano nacional também é aliado ao governo de Dilma e Gleisi. Teríamos aí uma chapa forte de oposição ao grupo de Beto Richa. (Eloir Rodrigues - Jornal da Manhã)
