24 de jan. de 2014

BIBINHO CONTINUA SENDO UM BODE EXPIATÓRIO CONVENIENTE


“Meu cliente Abib Miguel, é inocente”.
A afirmação categórica e contundente é do advogado Eurolino Reis, que representa o ex-diretor geral da Assembleia Legislativa, Abib Miguel, o Bibinho.
Essa manifestação foi a resposta para uma condenação de 18 anos, 11 meses e 20 dias de prisão em regime fechado, pelos crimes de peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, decretada pela juíza Ângela Ramina Delucca, da 9ª Vara Criminal de Curitiba, anunciada publicamente dia 13 de Janeiro de 2014.
O show montado via Gazeta do Povo e RPC, em 2010, sob o titulo “diários secretos”, da Assembleia Legislativa, motivou esta condenação em processo instaurado para investigar um dos braços do esquema denunciado pela contratação de funcionários fantasmas, havendo ainda dois outros processos parecidos que ainda serão julgados.
A estimativa de R$ 200 milhões de reais, segundo o Ministério Público, de desvios dos cofres públicos promovidos com estes esquemas, coloca Bibinho a nível nacional com Zé Dirceu, chefe da quadrilha do Mensalão e Nicolau Santos Neto, o Juiz Lalau, condenados com grande repercussão nacional como se pretendeu no caso paranaense.
Das dez ações que tramitam na 9ª vara Criminal de Curitiba, sete já tiveram sentença e outras duas ainda estão pendentes, além de sete outras ações por improbidade administrativa que citam ex-diretores da Assembleia Legislativa como Nelson Justus, Alexandre Khoury, Nereu Moura, Hermas Brandão e Geraldo Cartário, mas deixando no esquecimento parlamentares que foram integrantes das mesas executivas nestes mesmos períodos em que supostamente Abib Miguel e José Nassif, já condenados, teriam praticado os citados crimes.
O caso mais emblemático de tais situações em andamento envolve o deputado Valdir Rossoni, integrante das mesas executivas em todos estes períodos e que inexplicavelmente em momento algum foi citado como responsável como os demais parlamentares, pelas autorizações assinadas e que deram ensejo a tais acusações, já que a responsabilidade direta é do deputado e não de um diretor como foi o caso das condenações já promovidas.
Delação premiada, inclusive, promovida pelo deputado Valdir Rossoni, teria sido a motivação para livrá-lo do escracho como os demais que estão sendo acusados e que ainda respondem na Justiça pelas ações de improbidade administrativa.
Ao “entregar” supostos esquemas dos quais teria participado, Valdir Rossoni buscou no “bode expiatório” Abib Miguel, o Bibinho, com quem sempre desavenças pessoais, e os deputados Nelson Justus e Alexandre Khoury, adversários diretores nas mesas executivas das quais participou, livrou-se de uma situação vexatória como ocorreu com os demais e transformou-se no paladino da moral da AssembleiaLegislativa, situação que no decorrer dos tempos ainda vai colocar toda a verdade bem às claras.
Eurolino Reis, advogado de Abib Miguel, o Bibinho, de forma contundente, ao mesmo tempo em que preparava o recurso quanto à condenação de quase 19 anos do seu cliente, deixou sem papas na língua duas manifestações que deixaram claro ter toda esta situação muita linguiça embaixo da farofa e que ao longo do tempochegarão, certamente, a conhecimento público.
Enquanto Abib Miguel, oBibinho, já se sentia inicialmente satisfeito porque foi inocentado do crime de falsidade ideológica, seu advogado Eurolino Reis deu sua posição a respeito dizendo que “Desde o início do processo, ficou claro que ela (a juíza Dra.Ângela Ramina) ia condená-lo. A conduta da magistrada sempre foi parcial para o MP: houve cerceamentode defesa”.
E foi ainda mais contundente ao criticar a atuação do GAECO-Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, braço do MP que investigou seu cliente, Abib Miguel, Bibinho, apresentando tal denúncia à Justiça, dizendo que “O Gaeco é um braço armado à margem do MP, um grupo nazifascista, que não conhece a ampla defesa e o contraditório”.
Abib Miguel, Bibinho, segundo a sentença, foi condenado por ter praticado o crime de peculato 894 vezes, capacidade que identifica a incompetência de todos os 54 deputados de cada legislatura das quais participou e nunca coibiram o que a Justiça considerou agora cormo crimes pelos quais o ex-diretor geral foi condenado, sem assinar qualquer documento de recebimento de dinheiro ou ter prova e testemunha que o apontassem diretamente como responsável por todos os crimes dos quais é acusado.
Respondendo em liberdade a presente condenação, Abib Miguel, o Bibinho, vai agora, através recurso tentar reverter uma situação cujos próximos passos ainda levarão a matéria até Brasília onde está a última instância para recorrer quanto às condenações de tal porte.
Nada menos que 1.117 multas foram impostas pela Justiça à Abib Miguel, o Bibinho, além da pena de prisão, sendo que o valor total de tais multa ainda não foi calculado.
Tratando-se de ano eleitoral e até que todos os recursos tenham transitado em julgado, os deputados acusados e que venham a ser condenados continuarão livres, leves e soltos, mantendo campanhas para reeleição e desfrutando de uma situação que por enquanto só tem três condenados; Abib Miguel, José Ary Nassif e Cláudio Marques da Silva.
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QUE TAL SE ABIB MIGUEL, BIBINHO FIZESSE
UMA DELAÇÃO PREMIADA COMO ROSSONI?
A exemplo do que ocorreu no chamado “Caso Gafanhotos”, que até hoje continua caminhando, e envolve muitos deputados da Assembleia Legislativa do Paraná, a delação premiada seria a possibilidade de se chegar realmente aos verdadeiros culpados por todas as situações de irregularidades que envolvem problemas registrados no Poder Legislativo paranaense.
Enquanto as autoridades condenam, por enquanto, apenas a raia miúda que serve de “bode expiatório” de uma situação da qual estão livres 54 deputados, e respectivos suplentes, principais as mesas executivas deste tempo dos escândalos denunciados, a situação se arrasta de modo conveniente.
Privilegiados por um foro especial que atrasa ainda mais determinadas investigações, os parlamentares que teriam todos, sido enganados por uma única cabeça capaz de armar todas as supostas irregularidades denunciadas, os deputados continuam desfrutando de privilegiada situação.
Não são poucas as pessoas que cercam Abib Miguel e os demais condenados, sugerindo a exemplo do que ocorreu com Valdir Rossoni, que teria sido um “X-9” denunciando esquemas, situações e companheiros com os quais participou de tudo que até aqui se denunciou, os mesmos abram o bico e entreguem toda a verdade.
Escrachados para a sociedade, condenados e até presos por determinados tempos, Abib Miguel, José Nassif e Claudio Marques da Silva, poderiam agora entregar de bandeja para a Justiça os parlamentares que durante estes anos todos os apadrinharam na prática dos supostos crimes pelos quais estão pagando em particular.
Uma situação em que a delação premiada, a esta altura, com condenações de tantos anos e pesado ônus financeiro que as mesmas representam, passa a ser admitida por uns e outros como caminho a ser devidamente considerado pelos três únicos condenados que considerados responsáveis por tais supostos crimes.
Leve-se em consideração, inclusive, o fato de que em nenhum momento Abib Miguel, José Nassif e Claudio marques da Silva, se utilizaram do mesmo expediente que segundo deixou transparecer o deputado Valdir Rossoni, colocou-o em um verdadeiro pedestal da moralidade sem preocupar-se com os demais companheiros.
Já imaginaram AbiMiguel, ex-diretor da Assembleia Legislativa, testemunha principal de várias legislaturas, aceitando uma delação premiada para evitar o contínuo prejuízo que ele e seus dois outros companheiros vêm sofrendo para salvaguardar a imagem dos integrantes do Poder Legislativo?

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