22 de jul. de 2012

Dissidentes do PMDB vão lançar comitê sem medo de sofrer retaliação

A impunidade quanto a fidelidade partidária, deixa deputados, entre outros, livres para ignorar o candidato da sigla

Deputados estaduais do PMDB que organizam a abertura de um comitê suprapartidário de campanha para apoiar a reeleição do atual prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), não mostram preocupação com a regra da fidelidade partidária, com possível risco de expulsão do partido e perda de mandato. Alexandre Curi (PMDB), um dos deputados, diz que "tem peemedebista em todas as campanhas" em Curitiba e no interior do Estado. Cita como exemplo o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), que declarou apoio público ao também candidato a prefeito da capital, Ratinho Júnior (PSC). O imbróglio pode ocorrer porque o PMDB tem candidato próprio à prefeitura, Rafael Greca, lançado e apoiado pelo senador Roberto Requião (PMDB).
Curi aponta ainda que em Curitiba "tem gente do PMDB" com o candidato do PDT a prefeito, Gustavo Fruet. "O próprio Requião, em São José dos Pinhais, onde temos candidatura própria, está apoiando o atual prefeito [Ivan Rodrigues, do PSD)]. Então, vai da coerência de cada um. Não vejo problema nisso", avalia o deputado. Rafael Greca preferiu não comentar a decisão dos correligionários sobre a eleição na capital. "É um direito que eles têm, e eu tenho minha opinião, mas também tenho o direito de não externá-la", disse apenas. E quanto a questão da fidelidade partidária, Greca afirma que "quem vai cuidar disso é a executiva estadual e a nacional do partido".
Os dissidentes garantem ter o apoio da maioria das zonais do PMDB, mas ainda busca mais adesões ao comitê, que pretendem inaugurar, com sede própria e estrutura de campanha, até o final da próxima semana. Fazem parte do grupo o secretário-geral do PMDB de Curitiba, Doático Santos (que esteve durante décadas a serviço de Requião e rompeu com ele agora por causa da imposição de candidatura própria), e além de Curi, os deputados estaduais Reinhold Stephanes Júnior (que disputou e perdeu para Greca a convenção partidária) e Luiz Cláudio Romanelli, licenciado porque comanda a Secretaria estadual do Trabalho. Outro que estava nesse grupo é o deputado Cleiton Kielse, que saiu do PMDB e ingressou essa semana no PEN.

Outras eleições
Contestando ainda a convenção do PMDB que decidiu pela candidatura de Greca, impondo uma derrota a facção dele e dos deputados, Doático Santos aponta que "pelas regras da convenção, tinha gente com direito a quatro votos", por isso o resultado não seria a real expressão da vontade do partido. "Só a família Requião tinha 22 votos", citou. Quem preside o diretório do PMDB de Curitiba é o senador Roberto Requião, a quem os dissidentes atribuem ter "imposto" Greca como candidato.
Alexandre Curi compara a situação atual com o que ocorreu nas eleições de 2004, outra dissidência. "Em 2004, um grupo saiu para apoiar o Beto Richa [do PSDB, quando disputou a prefeitura de Curitiba pela primeira vez e o PMDB também tinha candidato próprio]. Desta vez, tomamos essa decisão. Respeitamos a decisão da convenção, mas nossa decisão também tem que ser respeitada", defende. Curi disse que conversou com o senador sobre o comitê e a campanha para Ducci e vai esperar que, assim como Requião entendeu suas razões para apoiar Richa em 2010 e não o adversário Osmar Dias (PDT), com quem o PMDB estava coligado, entenda também sua posição de agora.

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