5 de jul. de 2012

Deputado insinua que pedágio pode ter bancado campanhas e terá que provar

Mas só confirma que pediu dados a respeito no TRE; o caso foi para processo no Conselho de Ética

Entrevista concedida ontem a uma rádio de Curitiba pode complicar a vida do deputado estadual Cleiton Kielse, do PMDB, que vem tentando há um ano instalar uma CPI na Assembléia Legislativa para novas apurações sobre os aditivos aos contratos e as tarifas de pedágio no Paraná. Kielse, com experiência de vários mandatos, insinuou na entrevista que parlamentares teriam sido "comprados" pelas concessionárias do pedágio para evitar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito que ele propôs em 2011. O presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB) anunciou durante o plenário que pediu abertura de processo no Conselho de Ética da Assembléia, para apurar as declarações do peemedebista e se houve quebra do decoro parlamentar.
A criação da CPI em questão foi indeferida pela Mesa Executiva da Assembleia, sob o argumento de que outra comissão já tinha investigado o mesmo tema sem resultados concludentes. Kielse chegou a recorrer internamente da decisão e novamente a criação foi rejeitada. Depois de lamentar na tribuna em março desse ano, o peemedebista ameaçou ir ao Judiciário para tentar conseguir a instalação da nova comissão, mas acabou não tomando essa providência.

Para checar
Depois do anúncio de Rossoni ontem, Cleiton Kielse negou ter acusado deputados de receberem dinheiro das concessionárias para impedir a criação da nova CPI do Pedágio. Mas confirmou ter pedido ao Tribunal Regional Eleitoral, dados sobre parlamentares que tenham recebido contribuições de campanha das concessionárias. Kielse poderia ter obtido tais informações diretamente no site do Tribunal Superior Eleitoral. Os dados sobre as prestações de contas de campanha, com relação dos doadores, são públicos. A iniciativa de ir ao TRE se justifica no caso de ele pretender um documento formal corroborando eventual doação para este ou aquele parlamentar.
O peemedebista não recuou de todo. "Não retiro o que falei sobre a condução em alguns momentos, de quadros desta Casa. Não acusei um ou outro deputado. Não me sinto ofendido quando digo que parlamentares são conduzidos por um ou outro setor. Esse parlamentar [referindo-se a ele] não tem acordo nem acerto com nenhuma concessionária", declarou. O presidente da Assembléia disse que já pediu para a rádio a cópia da entrevista e justificou a iniciativa de pedir abertura de processo contra Kielse no Conselho de Ética por causa de reclamações de vários deputados que se sentiram atingidos pelas acusações. Como o peemedebista não citou nomes, a suspeição foi generalizada.
Rossoni, que saiu em defesa de todos durante a sessão para rebater a declaração, disse que a suspeita levantada por Kielse é "infundada". E para esclarecer, cobrou: "O deputado que traga as provas para que possamos punir esses deputados. Se não trouxer, vamos tomar as providências", avisou. Logo em seguida já anunciou a primeira delas, que foi o envio do caso para o Conselho de Ética, sob acusação de possível quebra do decoro parlamentar. Se Kielse mantiver o que disse e não provar as acusações, pode perder o mandato.
O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembléia é o deputado Pastor Edson Praczyk (PRB), que recebeu a solicitação de Rossoni para que "se apure o conteúdo de declarações dadas pelo deputado Cleiton Kielse a uma emissora de rádio local, envolvendo relações entre deputados e empresas concessionárias de pedágio". O tucano quer que o Conselho de Ética cobre a apresentação de provas, para que "não pairem quaisquer dúvidas acerca da conduta de qualquer parlamentar".

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