RICHA ATACA
Para criar um fato político e reafirmar o que disse em março deste ano - de que pela reeleição de Luciano Ducci (PSB), prefeito de Curitiba - ele vestiria a camisa, mal chegado da viagem aos Estados Unidos, o governador Beto Richa (PSDB) fez questão de comparecer ao anuncio oficial da chapa do seu maior aliado e amigo. O evento foi marcado para apresentar o candidato à vice-prefeito da chapa, o deputado federal, Rubens Bueno (PPS). Richa roubou a festa de ambos e antecipou como será a campanha eleitoral ao questionar a aliança do ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) com o PT para a disputa pela prefeitura da capital. "Sempre defendemos as mesmas ideologias, as mesmas teses. Jamais vamos violentar nossa consciência para vencer eleição a qualquer custo", alfinetou, sem citar nomes, mas certamente se referindo ao ex-deputado tucano. Que, diga-se de passagem, só não é candidato pelo PSDB porque Richa assumiu um compromisso com Ducci e por conta disso Fruet se desfiliou e ingressou no PDT, que lhe deu essa garantia. A aliança com o PT veio na seqüência.
MAIS PESADO
O governador foi ainda mais enfático em suas críticas, dando o tom do que se pode esperar vindo da candidatura de Ducci. "Nossa alma não está à venda e não compramos ninguém. Jamais vamos perder a vergonha na cara para vencer a qualquer custo. Até porque esse custo, às vezes é muito alto. Vários políticos trocaram de lado, sem explicação e até hoje pagam por isso", disparou Richa.
SOBRE GRECA
Na declaração acima, além de alfinetar Fruet, também sobrou para outro adversário de Ducci na disputa pela prefeitura, Rafael Greca (PMDB). Greca é que se destacou na política enquanto ligado ao grupo de Jaime Lerner, mas depois que se filiou ao PMDB das várias eleições que disputou conseguiu se eleger apenas uma vez para a Assembléia Legislativa. Richa destacou que a aliança em torno da reeleição de Ducci "tem a marca da coerência".
O prefeito Luciano Ducci, de perfil ainda pacífico, falou mais sobre a escolha do seu vice. Garantiu que se deu por critérios técnicos. "As pesquisas mostraram que o Rubens Bueno era o melhor nome", afirmou. Ele se contradiz na declaração, já que confirma não uma escolha técnica, mas política. Em tempo: nas eleições em Curitiba historicamente o PPS faz perto de 20% dos votos.
DE COERÊNCIA
Por sua vez, Bueno fez questão de dizer que foi convidado para disputar o cargo pelo governador e pelo prefeito. Aceitou apesar de não estar em seus planos, alegando que o fez em função da "compreensão desse momento da vida política da cidade". E sobre coerência, lembrou que já tinha apoiado a reeleição de Richa para prefeito em 2008, e a eleição do tucano para governador. "Nós nos parecemos, por isso nos juntamos, e não nos juntamos hoje", comentou.
FORA DESSA
Dos quatro deputados interessados em estar nesse evento no lugar de Rubens Bueno, dois não compareceram. Não foram coerentes com as declarações anteriores de apoio a Ducci. O deputado estadual Ney Leprevost (PSD) e o deputado federal Fernando Francischini (PSDB), se reservaram o direito de não pagar mico no anúncio da aliança do prefeito e seu vice.
MORDE E ASSOPRA
Se ambos foram incoerentes foi para manter a dignidade. Já os deputados estaduais Osmar Bertoldi (DEM) e Mauro Moraes (PSDB), também na fila para vice de Ducci, não se acanharam. Estavam acompanhando a entrevista coletiva com naturalidade. Assim como os dois que não apareceram, foram elogiados pelo governador e o prefeito. Aquela história do "desprendimento" e bla, bla, bla.
DIZ QUE
O bicho agora pode pegar. Gente que convive com João Cláudio Derosso (sem partido), ex-presidente da Câmara Municipal de Curitiba, cujo mandato foi cassado anteontem por infidelidade partidária, sinalizam que por conta disso o ex-tucano (e por agora ex-vereador) pode abrir sua caixa de Pandora em relação ao PSDB.
PRATO FRIO
Sabe-se lá o que pode sair daí se ele pensar em vingança. Talvez em plena campanha? É que Derosso teria concordado em se desfiliar por conta própria do PSDB antes de ser expulso, com a promessa da cúpula do partido no Paraná de que a sigla não iria lhe tomar o mandato e nem permitiria recurso de suplente aos tribunais reivindicando a vaga.
INÊS É MORTA
Se houve o tal acordo, o que não é de estranhar, foi por água abaixo agora, com a suplente tucana que foi à Justiça Eleitoral e conseguiu que Derosso fosse cassado. O ex-tucano paga por acreditar e se desfiliar, pois se avalia que ele poderia recorrer a Justiça, na época, contestando o rito sumário do processo de expulsão, sem direito à defesa.
MISTURA
Rubens Bueno ser vice de Luciano Ducci não agradou ao senador Álvaro Dias (PSDB). O senador argumentou que o deputado lidera na Câmara Federal um partido da oposição e que o PSB do prefeito de Curitiba é da base de apoio de governo Dilma Rousseff (PT). Nesse caso Bueno foi incoerente então.
QUEIXA
O senador se queixou que não lhe consultam a respeito de nada nas questões políticas do PSDB do Paraná e que lhe impuseram em ostracismo. Álvaro voltou a dizer que os tucanos deveriam ter candidato próprio e que o melhor seria Gustavo Fruet, agora na oposição. Vale lembrar que a opção em se transformar em figura nacional do partido foi dele próprio, Álvaro.
DE INTERESSE
Questões como a qualidade da prestação dos serviços dos planos de saúde e o reajuste dos honorários médicos, o descredenciamento destes profissionais e o impacto no atendimento à população, foram discutidas em reunião da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa com representantes de planos de saúde e das operadoras. A intenção da Comissão é fazer com que o atendimento aos usuários desses planos seja melhorado.
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