23 de abr. de 2012

Tropa de choque de Richa inverte o jogo e devolve acusação a Requião

Tucanos acusam Requião quando governador de manter o Estado como parceiro do bicheiro e recebê-lo em palácio

    Um tiroteio ontem através de blogs e do microblog twitter deu o tom da repercussão sobre o suposto encontro do então governador eleito, Beto Richa (PSDB), em 2010, com o sócio do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Roberto Coppola, que teria sido para tratar da criação de loterias no Paraná. De um lado o senador Roberto Requião (PMDB), que fez a denúncia com base em e-mails interceptados pela Polícia Federal e, de outro, uma tropa de choque tucana defendendo Richa e acusando Requião de ter recebido Cachoeira no Palácio Iguaçu em 2003.
    O líder do governo Richa na Assembléia Legislativa, deputado tucano Ademar Traiano (PSDB), afirma que o senador peemedebista teria recebido o bicheiro no Palácio Iguaçu quando era governador. O encontro, segundo o tucano, ocorreu quando uma comitiva chefiada pelo peemedebista Maguito Villela, esteve em Curitiba. O líder do governo Richa afirma que Requião não só se encontrou com Cachoeira como este era parceiro do governo do Estado na exploração da Lotopar, uma loteria do governo do Estado. Cachoeira administrou a Lotopar através da Larami, uma empresa que pertencia ao bicheiro. 
    "Durante 16 meses (entre janeiro 2003 e março de 2004) o então governador Requião manteve o Estado do Paraná como parceiro de Cachoeira na Lotopar. E nesse período recebeu o bicheiro no Palácio Iguaçu. E agora vem dizer que é o governador Beto Richa é quem tem vínculos com esse contraventor? É muita desfaçatez. E nunca se foi discutido dentro desse governo qualquer assunto referente a jogos", alega Traiano. "O senador Roberto Requião voltou a usar a prática de acusar os outros daquilo em que está envolvido", acrescentou.
    No contra-ataque a Requião, além de Traiano, também participou o deputado Valdir Rossoni (PSDB), presidente da Assembléia Legislativa; o secretário de Estado da Fazenda, deputado federal licenciado Luiz Carlos Hauly; e o deputado federal Fernando Francischini, ambos do PSDB também. Este último será membro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que irá investigar o envolvimento do bicheiro Cachoeira com políticos, que supostamente se desdobra em quatro Estados, entre eles o Paraná. Francischini adiantou que irá pedir na CPMI a convocação do senador Requião para esclarecer o suposto envolvimento na época do senador com o contraventor.
    Rossoni afirma que em 2004, como líder da oposição ao governo do PMDB na Assembléia, apresentou requerimento pedindo informações sobre as ligações do governo com Cachoeira. Rossoni confirma Traiano: "Em 2003 Requião garantiu a parceria com a Larami de Cachoeira para explorar loterias no Paraná". O presidente da Assembléia diz que uma segunda visita do bicheiro ao Palácio Iguaçu foi em março de 2004 "para renovar a parceria" e que seu pedido de informações foi sobre esse segundo encontro. "Queria saber quando Cachoeira esteve lá, com quem e sobre o que falou", comenta Rossoni.


Contra o jogo

    Por sua vez o senador Roberto Requião ironizou ontem as reações a seu discurso quando revelou o conteúdo de e-mails interceptados pela Polícia Federal, dando contra de suposta reunião, no Paraná , de sócio de Carlos Cachoeira com o governador Beto Richa, cinco dias depois da eleição de 2010. "Pisei no rabo do gato e agora o bichano está miando por outras bocas", disse o senador rebatendo críticas de aliados de Richa. Mas no twitter fez duros ataques diretos a Richa e, em especial, aos tucanos que contra-atacaram em defesa do governador. 
    Requião confirmou que no final de seu mandato anterior no Senado, antes de assumir o governo do Paraná, um senador de seu partido, que era favor à legalização do jogo no Brasil, levou ao seu gabinete o contraventor Carlos Cachoeira: "O senador telefonou, disse que queria falar comigo e veio ao meu gabinete com o tal Cachoeira. Não aceitei a conversa sobre a legalização do jogo e disse ao contraventor que gostaria de vê-lo preso", sustentou o peemedebista. Requião falou ainda da luta de seu governo, entre 2003 e 2010, contra o jogo no Paraná e a desarticulação da quadrilha de Cachoeira, que atuava no Estado. 
    Anteontem à noite, através de nota oficial o governador Richa negou ter tido qualquer contato com Carlinhos Cachoeira. Richa afirmou que nunca falou e não tem qualquer relação com Cachoeira ou pessoas ligadas a ele. O texto afirma ainda que o governador nunca tratou de qualquer proposta de reativação de serviço de loterias do Estado ou autorizou qualquer membro do governo a tomar alguma iniciativa com esse objetivo.

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