30 de jun. de 2015

André Vargas vira réu em mais um processo da Operação Lava Jato

O juiz Sérgio Moro acatou a segunda denúncia contra o ex-deputado André
Vargas (ex-PT) dentro das investigações da Operação Lava Jato. Vargas,
preso no Complexo Médico Penal em Pinhais, agora vai responder por lavagem
de dinheiro e sonegação fiscal por meio da compra de um imóvel de luxo. No
mesmo processo também são réus sua mulher Edilaira Soares Gomes e seu irmão
Leon Ilário Vargas. As informações são da Folha de Londrina.

Segundo as investigações do MPF e PF, Vargas adquiriu um imóvel de luxo em
Londrina pelo seu valor de mercado, contudo registrou no contrato, na
escritura pública e na declaração de imposto de renda um valor bastante
inferior ao preço real de aquisição, pagando a diferença informalmente.
"Para isto, contou com a ajuda do irmão Leon (que negociou o valor com a imobiliária), e sua companheira Eidilaira (que emprestou seu nome para a aquisição do bem)", destacaram os investigadores na apresentação da denúncia à Justiça.
Em maio de 2011, Edilaira assinou compromisso de compra do imóvel no valor
de R$ 500 mil (uma entrada de R$ 20 mil seguida de uma parcela de pouco
mais de R$ 303,5 mil e um financiamento dos R$ 176,5 mil restantes). No
entanto, o vendedor do bem afirmou que o imóvel foi vendido, na realidade,
por R$ 980 mil. Ou seja, ocultaram o valor de R$ 480 mil. O imóvel fica
localizado na Rua das Bromélias, quadra 6, Lote 11, no bairro Alphaville
Jacarandá. "A apresentação de declaração à Receita Federal de aquisição de
patrimônio por valor muito inferior ao real configura indício veemente de
crime de sonegação fiscal", ressaltou Moro, em seu despacho.
A denúncia que embasou a decisão do magistrado apontou que havia fortes
indícios de que o dinheiro utilizado no pagamento da diferença foi
proveniente dos crimes praticados em face da Caixa Econômica Federal e do
Ministério da Saúde. A "manobra" adotada pelo trio foi realizada para lavar
parte do dinheiro gerado pelos crimes já denunciados à Justiça e que são
relacionados ao esquema que envolvia contratos de publicidade entre a
Borghi Lowe e dois órgãos públicos.
"Tratando-se, porém, de agente público, no caso deputado federal na época
dos fatos, não se trata apenas de indício de crime de sonegação fiscal, mas
sim de lavagem de dinheiro, tendo por antecedentes crimes contra a
Administração Pública", completou o juiz. A reportagem entrou em contato
com os advogados de André Vargas e Leon Vargas, Nicole Trauczynski e
Alexandre Loper, respectivamente, mas não obteve retorno.

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