Tucanos da Câmara Federal deitam e rolam em
cima do episódio envolvendo o sempre falante deputado paranaense, André Vargas
(PT). Em parte, foi por incontinência verbal, mas também devido a um gesto que
o petista fez. Não estivesse o PT no poder, poderia lhe custar o mandato. É que
ontem (04) a bancada do PSDB anunciou a intenção de pedir abertura de processo por
quebra de decoro parlamentar contra Vargas. É que na reabertura dos trabalhos
da Câmara, anteontem, o petista fez uma provocação ao presidente do Supremo
Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, erguendo várias vezes o punho cerrado em
protesto contra o processo do mensalão. Para o líder do bancada tucana na
Câmara, deputado federal Antonio Imbassahy (BA), o gesto infringe o Código de
Ética do Legislativo federal, segundo o qual é responsabilidade dos
parlamentares “tratar com respeito e independência os colegas, as autoridades,
os servidores da Casa e os cidadão com os quais mantenha contato no exercício
da atividade parlamentar, não prescindindo de igual tratamento”. O agravante é
que Vargas é vice-presidente da Câmara Federal, ou seja, exerce cargo que
representa o Legislativo. Imbassahy avalia que a atitude do petista foi
“constrangedora e desrespeitosa”.
MAIS SÉRIO
Concorda o líder do PSDB que o gesto
deselegante do deputado paranaense é mais sério devido ao cargo dele na Mesa
Executiva da Câmara Federal. “Vargas é vice-presidente de um Poder, o
Legislativo, e deve se comportar com a dignidade que o cargo requer, e não
desrespeitando o presidente de outro Poder, o Judiciário. Isso está longe de
ser uma forma republicana de ser”, criticou.
‘COISA DE PETISTA’
Impossível não ver o viés político da
iniciativa tucana em um ano eleitoral. André Vargas já é relativamente
conhecido no País por ser vice-presidente da Câmara e uma das vozes que
incomoda o PSDB. Para Imbassahy “o gesto do petista é uma
chacota à Justiça, como, aliás, o PT vem agindo reiteradas vezes. O partido tem
no presídio um ex-presidente e um ex-tesoureiro, José Dirceu e Delúbio Soares,
enquanto José Genoíno cumpre prisão domiciliar. Vargas zomba da Justiça como se
o PT estivesse acima dela”, disparou.
DESCULPAS
Outro tucano, o presidente do PSDB em Minas Gerais , deputado
federal Marcus Pestana, cobrou de Vargas um pedido público de desculpas ao
presidente do STF e à população brasileira. Terá que ser de imediato, já que o
processo por quebra de decoro parlamentar pode demorar meses. E, além do que,
Vargas não será cassado porque o PT e seus aliados é maioria absoluta na
composição partidária da Câmara. O que o PSDB vai conseguir é criar caso para deixar os petistas mais desconfortáveis nas
eleições de 2014.
COTOVELO E PUNHO
E tem mais: relatos da imprensa nacional
dão conta que durante a cerimônia de abertura do ano legislativo na Câmara,
Vargas trocou mensagens pelo celular dizendo que gostaria de dar “uma
cotovelada” no ministro Joaquim Barbosa, que estava ao seu lado no momento. O
deputado também repetiu várias vezes o gesto de combate feito pelo ex-ministro
José Dirceu e o ex-deputado José Genoino (PT-SP) quando foram presos, em
novembro: braço erguido e punho fechado.
AS
MENSAGENS
Nas mensagens, o amigo do petista
perguntou: “E aí? Não vai quebrar o gelo, não? Nem um ‘olá’? Pergunta para ele
se vai assinar a prisão do João Paulo Cunha (deputado paulista do PT, condenado
no julgamento do mensalão). A resposta de Vargas foi direta: “Dá uma cutovelada
(sic)”. Ontem ele disse que a história
deve ter partido de “algum jornalista criativo inventou, num momento de excesso
de exposição”.
NEGAÇÃO/PENAS
Para Vargas, as penas dos petistas
condenados no mensalão, são mais severas do que as de outros réus. Ontem, depois
do silêncio (logo quem) de segunda-feira, o deputado paranaense deu entrevista ao
O Estado de S. Paulo sobre o episódio das mensagens no celular. Vargas negou
que a tal “cotovelada” tivesse a ver com o ministro Barbosa. Mas reiterou sua
avaliação de que o julgamento do mensalão no Supremo foi “político” e que a execução
das penas “foi seletiva”. Para ele, petistas condenados no mensalão, estão
recebendo penas mais severas do que as de outros réus.
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