5 de fev. de 2014

QUEBRA DE DECORO PARA ANDRÉ VARGAS? E DÁ-LHE COTOVELADAS...

Tucanos da Câmara Federal deitam e rolam em cima do episódio envolvendo o sempre falante deputado paranaense, André Vargas (PT). Em parte, foi por incontinência verbal, mas também devido a um gesto que o petista fez. Não estivesse o PT no poder, poderia lhe custar o mandato. É que ontem (04) a bancada do PSDB anunciou a intenção de pedir abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra Vargas. É que na reabertura dos trabalhos da Câmara, anteontem, o petista fez uma provocação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, erguendo várias vezes o punho cerrado em protesto contra o processo do mensalão. Para o líder do bancada tucana na Câmara, deputado federal Antonio Imbassahy (BA), o gesto infringe o Código de Ética do Legislativo federal, segundo o qual é responsabilidade dos parlamentares “tratar com respeito e independência os colegas, as autoridades, os servidores da Casa e os cidadão com os quais mantenha contato no exercício da atividade parlamentar, não prescindindo de igual tratamento”. O agravante é que Vargas é vice-presidente da Câmara Federal, ou seja, exerce cargo que representa o Legislativo. Imbassahy avalia que a atitude do petista foi “constrangedora e desrespeitosa”.
                                             MAIS SÉRIO   
Concorda o líder do PSDB que o gesto deselegante do deputado paranaense é mais sério devido ao cargo dele na Mesa Executiva da Câmara Federal. “Vargas é vice-presidente de um Poder, o Legislativo, e deve se comportar com a dignidade que o cargo requer, e não desrespeitando o presidente de outro Poder, o Judiciário. Isso está longe de ser uma forma republicana de ser”, criticou.
                                             ‘COISA DE PETISTA’
Impossível não ver o viés político da iniciativa tucana em um ano eleitoral. André Vargas já é relativamente conhecido no País por ser vice-presidente da Câmara e uma das vozes que incomoda o PSDB.   Para Imbassahy “o gesto do petista é uma chacota à Justiça, como, aliás, o PT vem agindo reiteradas vezes. O partido tem no presídio um ex-presidente e um ex-tesoureiro, José Dirceu e Delúbio Soares, enquanto José Genoíno cumpre prisão domiciliar. Vargas zomba da Justiça como se o PT estivesse acima dela”, disparou.
                                          DESCULPAS
Outro tucano, o presidente do PSDB em Minas Gerais, deputado federal Marcus Pestana, cobrou de Vargas um pedido público de desculpas ao presidente do STF e à população brasileira. Terá que ser de imediato, já que o processo por quebra de decoro parlamentar pode demorar meses. E, além do que, Vargas não será cassado porque o PT e seus aliados é maioria absoluta na composição partidária da Câmara. O que o PSDB vai conseguir é criar caso para  deixar os petistas mais desconfortáveis nas eleições de 2014.
                                             COTOVELO E PUNHO
E tem mais: relatos da imprensa nacional dão conta que durante a cerimônia de abertura do ano legislativo na Câmara, Vargas trocou mensagens pelo celular dizendo que gostaria de dar “uma cotovelada” no ministro Joaquim Barbosa, que estava ao seu lado no momento. O deputado também repetiu várias vezes o gesto de combate feito pelo ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino (PT-SP) quando foram presos, em novembro: braço erguido e punho fechado.
                                            AS MENSAGENS
Nas mensagens, o amigo do petista perguntou: “E aí? Não vai quebrar o gelo, não? Nem um ‘olá’? Pergunta para ele se vai assinar a prisão do João Paulo Cunha (deputado paulista do PT, condenado no julgamento do mensalão). A resposta de Vargas foi direta: “Dá uma cutovelada (sic)”. Ontem ele disse  que a história deve ter partido de “algum jornalista criativo inventou, num momento de excesso de exposição”.
                                              NEGAÇÃO/PENAS

Para Vargas, as penas dos petistas condenados no mensalão, são mais severas do que as de outros réus. Ontem, depois do silêncio (logo quem) de segunda-feira, o deputado paranaense deu entrevista ao O Estado de S. Paulo sobre o episódio das mensagens no celular. Vargas negou que a tal “cotovelada” tivesse a ver com o ministro Barbosa. Mas reiterou sua avaliação de que o julgamento do mensalão no Supremo foi “político” e que a execução das penas “foi seletiva”. Para ele, petistas condenados no mensalão, estão recebendo penas mais severas do que as de outros réus.

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