O pré-candidato do PDT deve ser apoiado pelos petistas, mas Lula, a quem fez oposição, quer conversar com ele
Para o presidente da Câmara Federal, deputado petista Marco Maia, que esteve ontem em Curitiba para conhecer uma obra de transporte urbano, a aliança do seu partido com Gustavo Fruet, crítico do governo petista quando era deputado, mostra que o PT estava certo na sua política. "Agora está agregando outros que antes combatiam o PT. Acontece em Curitiba com o Gustavo Fruet o que aconteceu com o Eduardo Paes no Rio de Janeiro, que era um adversário ferrenho do PT", disse Maia. O deputado petista responde a inquietação de eleitores curitibanos. Maia sinaliza que não foi o PT que mudou, mas o ex-tucano é que teria reavaliado suas posições.
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, da tendência petista que venceu a disputa interna anteontem pela aliança com Gustavo Fruet, pré-candidato do PDT a prefeito de Curitiba, disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado em pesquisa do início do mês como pessoa mais influente nas eleições na capital paranaense, vai conversar pessoalmente com o pedetista em encontro inicialmente previsto para a próxima quinta-feira. Lula terá muito o que falar com Fruet, ex-deputado federal do PSDB que se destacou por fazer forte oposição nos dois governos sucessivos do presidente petista.
Na Câmara Federal Fruet teve atuação semelhante a de outro tucano paranaense em relação ao governo de Lula, o senador Álvaro Dias. O ex-tucano fez acusações graves, acusou os petistas de terem um projeto de poder mais do que uma proposta de governo e se destacou em CPIs que apontaram irregularidades no governo do PT. Mas o ministro Paulo Bernardo contemporiza, afirma que se prevalecer a tese da aliança - a maioria que votará na decisão final, dias 27 e 28 deste mês é favorável ao apoio a Fruet - Lula precisará conversar com Fruet e também outras lideranças petistas, para aparar as arestas e acertar o discurso. "A diferença com o Gustavo sempre foi política. Ele teve um rompimento no PSDB e hoje é nosso aliado até porque o PSDB não o quis", minimizou Bernardo.
Apoio 2014
O apoio a Gustavo Fruet, em caso de vitória em outubro, além de representar para o PT compartilhar o poder em Curitiba pela primeira vez, imporá uma derrota ao grupo do governador Beto Richa (PSDB), há mais de 30 anos comandando a capital, desde os tempos que Jaime Lerner foi prefeito pela última vez. E a coisa vai mais longe, de acordo com o ministro. O acordo com Fruet e o PDT inclui apoio recíproco para as eleições ao governo do Paraná em 2014. Os petistas, por sua vez, em 32 anos deixarão pela primeira vez de disputar a prefeitura de Curitiba com candidato próprio. Ao longo de todas as eleições anteriores, porém, o PT chegou uma única vez a disputar o segundo turno.
Paulo Bernardo minimizou também o fato de não disputar com candidato do partido e apontou que se na capital o PT vai de aliança, em outras grandes cidades paranaenses o partido terá candidatura própria. "Temos uma visão de que é preciso fortalecer o PT no Estado como um todo. Vamos disputar com candidatos próprios em Londrina, Cascavel e Ponta Grossa. Mas aqui em Curitiba, a visão é de que a melhor forma de vencer é com a aliança". Sua mulher, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reforçou: "A candidatura própria a qualquer preço era importante em um momento em que o PT precisava mostrar a que veio: suas ideias, seus projetos. Era uma estratégia de crescimento partidário. Hoje estamos no governo e já mostramos tudo isso. Agora é preciso ter maturidade e entender que o nosso projeto conta com os partidos aliados, entre eles o PDT", disse ela.

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