3 de abr. de 2012

Risco de "desindustrialização" do Paraná preocupa deputados

Mas revisar as políticas fiscal, tributária, trabalhista e previdenciária, para conter a importação não cabe à Assembléia


Dispostos a entender melhor o chamado processo de desindustrialização que ameaça o Paraná e o País como um todo, deputados ouviram ontem no plenário da Assembléia Legislativa o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo e o presidente da Central Unica dos Trabalhadores (Cut), Roni Barbosa. O presidente da Casa, ele próprio um industrial, deputado Valdir Rossoni (PSDB), confirmou o desemprego apontado pela Cut provocado pela desindustrialização alertada por Campagnolo. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou que um em cada cinco produtos industrializados consumidos no Brasil em 2011 foi fabricado fora do país. A Assembléia e o Estado pouco podem fazer, a maioria da legislação do setor cabe à iniciativa federal.
Campagnolo afirmou que a desindustrialização é motivada pela política cambial que favorece a entrada de produtos importados e por fatores como carga tributária, infraestrutura deficiente e juros altos que reduzem a competitividade da indústria brasileira. Nas últimas décadas, o setor industrial vem perdendo importância na economia brasileira. Em 1985, a indústria era responsável por 27% das riquezas produzidas no país. No ano passado, o índice já era inferior a 16%, devendo fechar 2012 abaixo de 15%. Com as exportações em queda, a balança comercial de produtos manufaturados fechou com déficit de US$ 93 bilhões em 2011.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores e o representante dos empresários da indústria concordam que a resolução da crise é um desafio, já que estaria, em síntese, na revisão das políticas fiscal, tributária, trabalhista e previdenciária. "O grande problema que enfrentamos é o custo Brasil. Portanto, precisamos discutir com urgência uma ampla reforma. Queremos o envolvimento dos governos e da sociedade, mas não para medidas paliativas, e sim soluções definitivas", disse Campagnolo.
Já o presidente da CUT mostrou preocupação com a diminuição dos postos de trabalhos, e segundo ele, é preciso manter as políticas sociais para auxiliar no consumo interno. "É importante manter a política de valorização do salário mínimo, ampliar o crédito e manter programas sociais. O apelo que fazemos é que o governo olhe este tema com o intuito de resolver", destacou Barbosa.
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), industrial há 25 anos na cidade de Bituruna, deu um exemplo que reforçou a declaração do sindicalista sobre o desemprego no setor. "Há 10 anos, eu tinha na minha empresa 450 funcionários. Hoje estou com 150. Isso ocorre porque o nosso produto não tem mais poder de competição no mercado externo. É culpa dos juros altos, falta de condições de aumentar os investimentos e da cotação do dólar. E isso acontece com vários empresários", apontou o tucano.
Para Rossoni, o governo da presidente Dilma Rousseff precisa tomar atitudes para que empresários e trabalhadores tenham a sinalização de que algo vai acontecer na proteção da economia brasileira porque está difícil de competir, principalmente com os chineses. Se isso não ocorrer me breve, a tendência de desindustrialização do País irá se acelerar, alertou junto com o presidente da Fiep. "O governo federal precisa agir para garantir que a economia brasileira não sofra com a concorrência, desleal, de produtos vindos de outros países", reforçou o deputado.

Em Brasília
Nesta terça-feira, dia em que federações industriais fariam manifestações públicas nos Estados ao lado de dirigentes sindicais em protesto contra o processo de desindustrialização, Edson Campagnolo participa de uma reunião em Brasília com a presidente Dilma para falar sobre o mesmo tema. As manifestações foram suspensas em função dessa audiência. O presidente da Fiep viaja a Brasília acompanhado de uma comitiva de empresários. Lideranças das centrais sindicais de trabalhadores também participam do encontro em Brasília. Rossoni não confirmou se irá também.
Ao final dos debates, Campagnolo aproveitou para elogiar as transformações no Legislativo estadual. Em 2010 e 2011 a Fiep foi uma das entidades que participou de movimento da sociedade civil pressionando por mudanças com transparência e moralidade. "Parabenizo o senhor presidente desta Casa na demonstração de austeridade. Bom seria se esta austeridade estivesse presente em todas as Câmaras Municipais, nas Assembleia e também no Congresso Nacional", politizou o presidente da Federação.

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