Antes de falar do grande e decisivo jogo, marcado para domingo na Arena, envolvendo Atlético Paranaense e Coritiba em mais um empolgante Atletiba, quero tratar da participação das duas maiores torcidas do Paraná. Sei que o desejo dos atleticanos é fugir do rebaixamento e, junto, tirar o Coritiba do G5. Sei também que será o prazer eterno dos coritibanos, vencer o Atlético e, mais especialmente, mandá-lo para a segundona em 2012. Até aí tudo bem, faz parte do folclore, do futebol, das brincadeiras entre amigos que torcem por times diferentes. Agora, o que não dá para aceitar é a tentativa de se dar aos clássicos contornos de uma guerra, criando uma expectativa de briga dentro e fora do estádio, envolvendo os torcedores. O Atletiba é um clássico, um jogo, e não uma disputa de socos, pontapés, brutalidade, ofensas. Nenhum dos litigantes precisa mostrar que é mais forte no braço. A disputa é no campo de jogo, não será nas arquibancadas ou nas ruas da cidade. A imprensa sadia, desapaixonada, precisa convocar as torcidas para um grande jogo, não para uma batalha.
Ninguém esqueceu, ainda, os fatos de dezembro de 2009, quando o Coritiba foi rebaixado e desordeiros, bestas humanas, proporcionaram cenas lamentáveis, quebrando o estádio e, pior ainda, deixando seres humanos hospitalizados e inválidos, em cadeiras de roda. A torcida atleticana será a maior no estádio, por ser seu clube mandante, e caberá a ela a maior responsabilidade de evitar tumulto, independentemente do resultado da partida. Já os torcedores do Coritiba, minoria no estádio, devem seguir o mesmo comportamento de disciplina e respeito. Caso atitudes impensadas, agressivas apareçam, causarão punições futuras aos dois clubes, como ocorreu com o Coritiba perdendo 10 mandos de jogos.
Será de extrema pobreza para qualquer uma das torcidas tentar se motivar apenas na desgraça do adversário. Vale aos torcedores, o espírito esportivo e aos jogadores e técnicos valorizar o trabalho da equipe, mostrando a sua capacidade, respeitando o adversário e, alcançando o resultado desejado.
Deus queira que todos se comportem maravilhosamente bem, que não haja necessidade da intervenção da força policial. Porém, se a violência aparecer, que a Polícia Militar e Civil exerça sua missão com todo o rigor.
Atlético
Quanto ao jogo, tudo leva a crer que será disputado milimetricamente, com muito empenho. Dois destinos, totalmente diferentes. Em uma ponta, está o Atlético fugindo do rebaixamento, precisando unicamente da vitória. A maldição do técnico Geninho continua rondando a Baixada. Sua situação é gravíssima, beirando o rebaixamento. Com uma campanha que deixa muito a desejar, o rubro-negro tem nove vitórias, 11 empates e 17 derrotas, saldo negativo de 18 gols, e um aproveitamento de apenas 34.2%. Tentou reagir no final, porém tropeçou e perdeu para o América Mineiro, no confronto decisivo. Esta má trajetória sempre o manteve entre os três últimos colocados e agora, além de precisar vencer o clássico, fica na torcida para que Ceará e Cruzeiro, não vençam seus jogos. Candidato fortíssimo a frequentar a Segunda Divisão em 2012 o Atlético vai ter que jogar muito para vencer o tradicional adversário.
Coritiba
Na outra ponta, com 16 vitórias, nove empates, 12 derrotas, 57 gols marcados, 40 sofridos, saldo positivo de 17 gols e, um aproveitamento de 51,4%, aparece o Coritiba. Como 5º colocado, o Coxa estará jogando pela vitória e, talvez, pelo empate. Nesta hipótese de empate, o Coxa precisa que São Paulo, Figueirense e Internacional não vençam seus jogos. Como o Coritiba, tem maior número de vitórias que os outros, na hipótese de dois ou mais clubes empatados, na classificação, sai em vantagem e se classifica com 16 vitórias contra 15 dos demais. O Botafogo tem 16 vitórias, ficando na mesma situação do campeão paranaense, perde no critério de gols marcados.
Com time completo, em fase positiva e com sorte, o Verdão é o favorito. Entretanto, favoritismo não garante vitória. Com 51,4% de aproveitamento, tendo um time nitidamente superior, o Coritiba poderá esbarrar na garra, na fibra, na disposição e na necessidade de vitória atleticana. O último Atletiba foi assim, o Coritiba melhor em tudo e, na hora de decidir, o Atlético arrancou um empate no Couto Pereira.
Diante das incertezas do brasileirão, onde ninguém sabe quem será o campeão, o clássico paranaense também, a rigor, está indefinido, mesmo se reconhecendo que o Coritiba está melhor que o Atlético.
Repito o que escrevi quando do último Atletiba. Façam suas apostas, todos os caminhos levam para um empate.
O campeão
Outros dois clássicos regionais, neste domingo, indicarão o campeão brasileiro de 2011. Corinthians ou Vasco da Gama. O time paulista enfrenta o Palmeiras e o carioca pega o Flamengo. No clássico paulista, o Corinthians precisa de um empate e, se possível, melhor a vitória. O Palmeiras não tem nenhum outro interesse há não ser, melhorar sua classificação. Já no clássico do Rio, o Vasco precisa ganhar do Flamengo e torcer pelo Timão perder para o Verdão.
O Corinthians tem melhor campanha, com 21 vitórias e 70 pontos ganhos, enquanto que o Vasco tem 19 vitórias com 68 pontos ganhos. Um empate dá o título ao Corinthians. Derrota do alvinegro e vitória do Vasco, os cariocas fazem a festa. Quem será o campeão? O time que fizer o dever de casa, sem precisar de ajuda de outros resultados. Por tudo que fez até aqui, o Corinthians reúne maiores méritos. O Vasco da Gama, depois do problema de saúde do seu treinador, Ricardo Gomes, cresceu muito, e os jogadores assumiram uns compromissos de oferecer o título ao grande comandante. Diante da irregularidade de resultados, ao longo do campeonato, resta esperar o apito final do árbitro para se conhecer o campeão nacional. Como o Corinthians só depende dele, claro que está em vantagem. (Osíres Nadal)

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