A previsão de receita desses municípios supera R$ 1 bilhão e partidos investem pesado nas campanhas para prefeito
Curitiba está entre as dez cidades de orçamentos bilionários no Brasil, o que explica em parte a acirrada disputa para prefeito, como ocorre nas outras que estão em patamar semelhante, de acordo com levantamento da Associação Transparência Municipal (ATM). Ao todo, são 47 cidades no País que atraem a atenção dos partidos na disputa por prefeituras e vagas de vereador. Elas estão no topo dos 5.563 municípios brasileiros que terão eleições este ano no que diz respeito à arrecadação orçamentária, e todas apresentam previsão de receita em 2012 superior a R$ 1 bilhão.
O orçamento da capital paranaense é de R$ 5,7 bilhões e a disputa entre os quatro principais candidatos à prefeitura, antes mesmo do horário eleitoral, se apresenta com troca de acusações e ações na Justiça Eleitoral. As pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas em 21 de julho e 10 de agosto, respectivamente, mostraram empate técnico entre três candidatos, sinalizando tendência de segundo turno.
Segundo o secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal paranaense André Vargas, o poder de fogo orçamentário foi um dos pontos considerados na definição das prioridades do seu partido 2012. Mas, observa ele, existem municípios com o orçamento pequeno e com influência maior do que outros mais ricos. "O mais importante é a influência geopolítica da cidade", afirma Vargas, que cita Maringá como exemplo no Paraná, que não é considerada como um dos municípios paranaenses mais ricos, mas está entre as prefeituras consideradas estratégicas para os petistas.
Entre as dez cidades de maior orçamento, pela ordem vem em primeiro São Paulo, com orçamento este ano de R$ 38,7 bilhões, Rio de Janeiro (R$ 20,5 bilhões), Belo Horizonte (R$ 9,2 bilhões), Curitiba (R$ 5,7 bilhões), Fortaleza (R$ 4,9 bilhões), Porto Alegre (R$ 4,6 bilhões), Recife (R$ 3,9 bilhões), Salvador (R$ 3,7 bilhões), Campinas (R$ 3,5 bilhões) e São Bernardo do Campo (R$ 3,3 bilhões). Esses municípios fazem parte do grupo das 47 mais ricas e mostram outros atrativos para os partidos, além dos seus orçamentos, como concentrarem um total de 56,6 milhões de habitantes, o equivalente a 29,56% da população brasileira, e 37% do montante de recursos disponíveis para o conjunto de municípios. Os dados fazem parte também do levantamento feito pelo economista e geógrafo François de Bremaeker para ATM.
A crise econômica parece não atingir essas cidades bilionárias, das quais apenas 11 são capitais estaduais. Segundo o estudo, o crescimento da receita orçamentária desses municípios entre 2010 e 2012 deve chegar a 33,6%. Esse aumento reflete, em parte, os aportes de recursos que chegam a algumas das capitais inseridas no grupo para as obras da Copa do Mundo de 2014, como é o caso de Curitiba, e das Olimpíadas de 2016. A visibilidade e os investimentos por conta desses eventos são um atrativo à parte, observa o deputado Vargas.
Os recursos investidos pelo PT nas cidades mais ricas sinalizam a importância que elas têm nos planos do partido. O PT está na cabeça de chapa das candidaturas em 36 desses municípios, e a previsão de gastos dos candidatos petistas soma R$ 487,1 milhões. No PSDB, com candidatos à prefeitura em 28 desses municípios, a previsão é um teto de gastos de R$ 258,29 milhões. Em um pleito considerado decisivo para sua sobrevivência, o DEM disputa prefeituras em 12 dessas cidades. Mas é de esquerda o partido com maior número de candidatos às prefeituras mais ricas, o PSOL, que tem 41 postulantes aos cargos de prefeito.
Os partidos que vencerem as eleições nessas localidades em outubro deste ano, terão poder de fogo para as eleições de 2014, mesmo não se tratando de capitais. São cidades que criam zona de influência para as legendas que querem aumentar as bancadas no Congresso Nacional e chegar aos governos estaduais. Têm dinheiro, visibilidade e relevância política em relação aos municípios vizinhos.

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