Ele os acusa de irregularidades e ilegalidades cometidas em processos contra seu grupo político
Saindo dos limites do seu município, ontem o secretário de Estado da Indústria e Comércio e ex-deputado federal Ricardo Barros (PP) acusou dois promotores de Maringá de atuarem políticamente em processos que envolvem seu grupo político. "Não tenho dúvidas em afirmar que o Ministério Público de Maringá é utilizado para ações políticas, motivadas por interesses pessoais, aquém do interesse público e da função constitucional do MP", disse o secretário. O secretário acusou os promotores José Aparecido Cruz e Laércio Januário de Almeida por suposta "perseguição" a pessoas ligadas a ele, como o irmão, o prefeito Silvio Barros, secretários e servidores municipais e diversos dirigentes e lideranças locais.
Os promotores do MP estadual investigam suspeitas de manipulação de licitações para contratação de serviços de publicidade na prefeitura de Maringá, com base em interceptações telefônicas. Barros pediu o trancamento do processo, mas o desembargador Celso Rotoli de Macedo, do Tribunal de Justiça do Paraná, rejeitou o recurso. "A maior parte das investigações está autorizada sem a existência de fato determinado, como exige a lei", alega o secretário.
Em seu protesto Barros apontou investigações que desrespeitam ritos processuais e incorrem em erros formais, além da suposta alteração do conteúdo de provas, o vazamento dos conteúdos sem a notificação prévia dos envolvidos e a interpretação parcial dos fatos. "São situações que beiram o absurdo. Temos inúmeras decisões judiciais a nosso favor que comprovam isso", declarou.
'Operação Tarrafa'
Ainda de acordo com o secretário da Indústria e Comércio, o MP de Maringá está há mais de dois anos mantendo investigações envolvendo secretários, servidores municipais e pessoas ligadas ao grupo político liderado por ele. "São cerca de 27 meses de 'Operação Tarrafa', onde o que vale é soltar a rede para ver o que vai pegar", comparou ele. E, segundo Barros, nesse período todo as investigações geraram apenas uma denúncia, que teria sido refutada pelo Tribunal de Justiça. "A maior parte das investigações está autorizada sem a existência de fato determinado, como exige a lei", reclama Barros.
Como a liminar não foi concedida pelo TJ ao pedido de trancamento do processo, o secretário agora aguarda o julgamento do mérito, quando acredita será atendido. "Apresentamos farta documentação comprovando as ilegalidades e a ação política dos promotores. Estou confiante no julgamento favorável do mérito", comentou. Ele disse também que pediu a procuradoria-geral do MP estadual investigação para a responsabilização criminal pelo vazamento de informações de processos que correm em segredo de justiça.
Barros informou ainda que a conduta dos promotores José Aparecido Cruz e Laércio de Almeida também o teriam "obrigado" a entrar com pedidos de suspeição de ambos em relação as investigações, junto ao MPE. Cruz já se afastou, indicando falta de isenção e a suspeição de Almeida aguarda manifestação do procurador-geral do Ministério Público, afirmou o secretário. Em Curitiba, o MPE não se manifestou oficialmente a respeito ontem.

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