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14 de jun. de 2011

PLÁ: Os amigos e os inimigos do rei

Aos amigos do rei...


"E você?”

A pergunta veio como um disparo contra o peito do correligionário que imaginou, um dia, ser amigo, ou melhor, companheiro do rei.

Lembrei-me de Manuel Bandeira em uma poesia que há muitos anos se torna resposta para algumas situações, e senti que ela definia a realidade: “Vou-me embora para Pasárgada, lá sou amigo do rei”.

Essa frase, que marca a atualidade da política paranaense, tem muito de verdade para companheiros de Beto Richa (PSDB), esquecidos já nestes primeiros tempos de governo e preocupados com o que ainda verão mais adiante tais as situações que vão sendo criadas por aqueles que aproveitaram sua boa intenção de coalizão e transformaram seus projetos em manipulação.

Pelo menos no que diz respeito em tomar conta do espaço.

Beto Richa nos dias atuais deve estar como bem definiu o escritor Leon Uris: “Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo”.

Esquecendo que “o melhor espelho é um velho amigo”, como disse um dia o pensador George Herbert, o governador tucano afastou-se de muitos, temendo talvez que apenas o interesse de facilidades, mordomias e outras benesses ditassem o entusiasmo de estarem mais próximos, e hoje blindado por adversários do passado que se tornaram amigos do momento, vive, ao que parece, ao largo da verdadeira situação que o rodeia Paraná afora.

“Aos amigos do rei, tudo; aos inimigos do rei, o rigor implacável da lei”, diz um velho ditado.

Beto Richa contrariou tudo isso colocando inimigos na primeira fase e os amigos na segunda, acabando por blindar-se através daqueles que encontraram confortável situação no governo como se tivessem vencido as últimas eleições.

Digo isso com propriedade ao ouvir tantos amigos que nestes primeiros seis meses de governo mal são cumprimentados, deixando a impressão de que aproximar-se do governador pode contaminá-lo com algum pedido fora do seu alcance.

Mas tudo é compreensível, dizem os mais antigos, pois como bem disse o sociólogo Julien Freund: “Enquanto houver política, ela divide a coletividade entre amigos e inimigos”, só que os amigos de ontem parece que viraram o inimigo de hoje e vice-versa.

Quando até próprio Lula na simplicidade de palavras disse que “Quem é dissidente é dissidente e quem é companheiro é companheiro”, não falava à toa, como dizem, mas com conhecimento de causa pelas experiências as quais passou.

Aos inimigos do rei...


Vem de longe a lembrança do filósofo Marco Túlio Cícero que disse: “Muito dificilmente encontraremos amigos verdadeiros entre os homens que se ocupam dos negócios públicos ou que procuram honras”, situação que deve estar martelando a cabeça de uns e outros quando observa a tropa contrária da última campanha tomando conta de principais espaços do governo, com a maior cara de pau.

A situação chegou a tal ponto que aqueles que procuram blindar Beto Richa, evitando que os verdadeiros amigos possam lhe abrir os olhos, usam de todos os meios para justificar seus atos e fantasiar uma situação que começa a ficar preocupante pelo fato de mascarar verdades com a realidade daquilo que vem se observando por vários cantos do estado.

“Ai daqueles que mostram que o rei está nu”, ensina uma velha lição.

E deve ser isso justamente o que vem acontecendo em nosso Paraná onde a simples menção em relação a algum tipo de comportamento ou situação gera de imediato pronunciamentos daqueles que confortavelmente se instalaram no governo e, como aves de rapina, deitam e rolam em cima de monte de lixo que vai sendo cada vez mais levantado.

Ouvindo gente que abraçou Beto Richa na última campanha, muitos dos quais mal conseguiram aproximar-se do mesmo para um simples cumprimento, chegamos à conclusão de que os amigos já não são lembrados como amigos e os inimigos que o cercam tratam de conduzí-lo por rumos mais convenientes a seus interesses.

É preciso, contudo, alertar Beto Richa em torno daquilo que está acontecendo e que uns e outros embora ouçam claramente certamente não lhe transmitem a realidade.

Já se ouve, com apenas seis meses de governo, gente que se espalha por este Paraná comentando com sorriso irônico, “afinal, quando é que o Beto vai assumir o governo?”, estilo debochado mas com um fundo de mágoa que deixa transparecer ao sentir que Beto Richa mudou.

E mudou em curto espaço de tempo, infelizmente.

Seja por uma má comunicação ou por interesses que buscam mostrar mais os que os inimigos instalados no governo estão fazendo, do que acontece na realidade como um todo, o fato verdadeiro e que muitos já não conseguem disfarçar é que o ninho de cobras no qual se deixou instalar Beto Richa vai gastando o seu veneno com doses cada vez mais intensas, a ponto de confundir àqueles que o admiravam.

Acostumados a este tipo de situação ao longo de uma atividade jornalística que não apenas no Impacto PR, com 18 anos de existência, mas pela passagem por outros veículos de comunicação, me sinto perfeitamente à vontade para contar da atual situação, consciente de que acima de tudo está o dever de alertar um governante jovem e que não merece passar por situações como as que tenho observado em caminhadas Paraná afora. (Luiz Fernando Fedeger)


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