14 de jun. de 2011

Notinhas do dia 14/06

Denúncia grave 
   
André Vargas

Se comprovado este pode ser um dos maiores escândalos da política paranaense: vigilantes da UEM, Universidade Estadual de Maringá deram entrada na Justiça com ações contra o deputado federal paranaense André Vargas (PT), que é de Londrina, bem ao lado. Vargas foi acusado no Juizado Especial Cível de usar indevidamente o nome e os CPFs desses servidores. De acordo com eles, um grupo de 80 vigilantes da UEM teve seus nomes e CPFs utilizados de forma indevida na última campanha eleitoral. Segundo a ação, os funcionários aparecem na prestação de contas do deputado como se tivessem doado importâncias em dinheiro para a campanha de Vargas, quando candidato a deputado federal em 2006. Os vigilantes negam terem feito doações ao parlamentar, mas seus nomes aparecem no site Às Claras, ligado à Transparência Brasil, como doadores da campanha. O site trabalha com dados da Justiça Eleitoral que, publica as prestações de contas entregues pelos candidatos, como exige a legislação eleitoral. Até agora, 31 vigilantes entraram com ações. O objetivo é que a Justiça determine a retirada dos nomes desses trabalhadores do site, através de uma medida liminar. Quanto a Vargas, a ação pede uma indenização por danos morais, por uso ilícito e indevido dos seus nomes para “lavagem de dinheiro”.


Saia justa

Toma posse hoje no Senado o suplente Sergio Souza, do PMDB paranaense, em substituição a atual ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, que se licenciou. E começa com o pé esquerdo, sendo alvo de reportagem da revista Veja desta semana em que é acusado de ter sido “gafanhoto” da Assembleia Legislativa, enquanto trabalhou no gabinete do ex-governador Orlando Pessuti (PMDB).


Para entender

Gafanhoto é na verdade o nome dado ao esquema que foi investigado em Assembleias Legislativas de vários Estados e revelado há quase três anos por procuradores federais e que teria funcionado entre 2001 e 2004. Em março último, tornou a ser investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Sergio Souza seria um dos participantes.


Centenas aqui

No caso da Assembleia do Paraná, em torno de 400 pessoas estão sob investigação, entre deputados, ex-deputados, servidores e ex-servidores da Casa e outros políticos do Estado que poderiam ter se beneficiado do esquema. O MPF suspeita que os investigados tenham praticado (supostos) crimes de estelionato, sonegação de impostos federais e desvio de dinheiro público.  


Na prática

O esquema funcionava, segundo a Polícia Federal, através do depósito dos salários de vários servidores da Assembléia na conta de uma única pessoa, em geral ligada ao gabinete de um deputado, que manipulava o dinheiro. O agora senador Sergio Souza nega envolvimento, diz que nunca fez nada de errado e que trabalhou no gabinete de Pessuti entre os anos de 1992 a 1995.


Contra Álvaro

Segunda-feira também não foi um bom dia para outro político do Paraná, o senador Álvaro Dias (PSDB), líder do seu partido no Senado e um dos que mais cobrou explicações e depois a saída do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Matéria publicada no portal de notícias da Rede Brasil Atual, retoma acusações contra Álvaro publicadas pela Revista Época, sobre R$ 6 milhões em aplicações financeiras que o senador não incluiu na declaração de bens à Justiça Eleitoral.


O caso     

Diz o texto de uma jornalista aparentemente ligada ao PT, que além de não declarar os R$ 6 milhões em aplicações, admitidas à imprensa, “há ainda cinco casas em Brasília que valiam, em 2007, R$ 15 milhões, igualmente não mencionados à Justiça Eleitoral”. A revista Época é de agosto de 2009.


O caso 2

Com base na Época, em 2006, Álvaro informou possuir 15 imóveis, que totalizavam patrimônio de R$ 1,9 milhão, entre apartamentos, fazendas e lotes em Brasília e no Paraná. Pelos cálculos da jornalista, somando-se as mansões, o patrimônio de Álvaro Dias saltou do que foi declarado na campanha de 2006 para 16,9 milhões em 2007.


Não informou

Investigando, a Época teria descoberto que o patrimônio do senador paranaense não era de R$ 1,9 milhão por causa dos R$ 6 milhões de aplicações e seria proprietário da empresa ADTrade, também não informada à Justiça Eleitoral. Como a atual ministra da Casa Civil não informou que era dona de 90% da empresa GF, na campanha eleitoral de 2008.


Qual a fonte?     
  
Ainda conforme a revista, em 2007 Álvaro Dias comprou um terreno no Setor de Mansões, em Brasília, uma das áreas mais valorizadas do DF, onde construía cinco mansões, cada uma avaliada em cerca de R$ 3 milhões, totalizando R$ 15 milhões, enquanto que o senador tinha apenas os tais R$ 6 milhões. Sugere-se de que tenha ocorrido um suposto enriquecimento de R$ 9 milhões, sem a correspondente fonte de renda. Ontem o senador não se manifestou a respeito.


Como Palocci

Ao final do texto, o portal Brasil Atual cobra explicações do senador tucano e cita que ele “tivesse o sobrenome Palocci, ele próprio já teria pedido uma CPI sobre si mesmo”. Cita perguntas que Álvaro deveria responder, como: Qual o faturamento anual da empresa ADtrade? Qual o patrimônio agasalhado sob o manto da empresa ADtrade, e quem são os sócios? Quem são os clientes da empresa ADtrade? Quais foram os contratos e empreendimentos desta empresa?


Mais perguntas

E outras questões: Como Álvaro explica seu patrimônio aumentar em R$ 9 milhões durante o ano de 2007, sem lastro de rendimentos? Qual o valor do terreno comprado do setor de mansões? De quem comprou o terreno? Foi da estatal TERRACAP, do governo do Distrito Federal, durante a gestão de seu companheiro de oposição José Roberto Arruda (ex-DEM)? Requentado, mas contra-ataque à altura no caso que envolveu Palocci. E o senador deve mesmo esclarecer tudo.


Nada ainda   

Vadir Rossoni (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, continua adiando a apresentação do relatório sobre as aposentadorias da Casa. A expectativa é que o faça esta semana, como havia prometido antes do episódio do suposto atentado contra ele, na última sexta-feira à noite. Ontem, que seria um bom momento para divulgar, Rossoni não o fez.


Do nada

O diagnóstico antecipado por Rossoni na semana passada é de que até cerca de 70% das aposentadorias de servidores podem estar irregulares. Uma delas, por exemplo, seria “o aumento 'da noite para o dia'' dos valores dos benefícios, tipo de R$ 2 mil saltar para R$ 5 mil a aposentadoria do servidor. A Assembleia gasta por mês mais de R$ 1 milhão com aposentadorias e pensões.


Os tiros

Sobre os tiros no seu carro, o tucano disse que se o que aconteceu for comprovadamente um atentado, ele teria como objetivo dar um susto e fazer com que ele recue no processo de moralização e transparência da Assembleia. O esquema de segurança para o presidente e demais integrantes da Mesa Executiva será revisto. A hipótese de assalto foi descartada.


CPI dos Portos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar possíveis irregularidades nos portos paranaenses, começa a se reunir com autoridades federais e do Tribunal de Contas do Estado, nesta terça-feira. Primeiro com a Polícia Federal; depois os deputados se reúnem com o Ministério Público Federal e por fim, irão ao TCE. Vão solicitar o repasse de informações sobre as operações “Dallas” e “Águas Sujas”, que apuraram supostos desvios nos portos paranaenses. (Roseli Valério)


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